segunda-feira, 30 de maio de 2016

De frente para o crime

Há mais ou menos 30 anos, uma garota saiu para trabalhar, e como de costume foi de ônibus até a estação de trem como todos os dias fazia. O trem no horário da 6:30 da manhã como sempre lotado, as pessoas espremidas em um vagão sujo, mas era o que se tinha para chegar ao destino "Estação da Luz", de lá ainda uma caminhada até a Praça da Republica para mais um ônibus rumo a Rua Brigadeiro Faria Lima. Faltava muito para chegar ainda.
No trem os rostos misturados, todo mundo querendo chegar em algum lugar. Não dava para perceber quem ficava ao lado, atrás e na frente, o ar tornava-se insuportável, a impressão que dava é logo pela manhã mesmo após um banho ela se sentia suja.
Aquela manhã foi diferente, no encosta encosta do trem, um "ser" que é impossível dizer que  fosse humano se aproveitou, se esfregou, riu , zombou e por fim depositou todo seu gozo na saia da garota..
Muita gente ouviu as reclamações da garota, mas ninguém fez nada, ninguém fez esse monstro parar, não dava para dar nenhum passo para se desvencilhar daquela situação. Ela chorou muito, pela impotência daquele momento. Após tudo consumado o monstro se foi, e nem deu pra ver o seu rosto.
A garota saiu do trem suja, buscando um lugar para limpar toda aquela violência, deu para limpar a saia, mas a indignação não, alma não. É a primeira vez que essa garota que não é mais garota conta essa passagem da vida dela para alguém.
Talvez nunca contou com medo de ouvir: - Também estava de saia! Por que saiu assim de casa! (a saia era para baixo do joelho, estava indo ao trabalho), o medo do julgamento fez apenas a garota se calar até hoje.
Histórias como essa acontecem todos os dias em todas as grandes cidades, acontecem nas casas, nas escolas, em todos os lugares. Não precisa ter estupro consumado, violência se faz subjugando a  mulher , seja com atos ou palavras
Hoje eu compreendo que calando se permite que as coisas aconteçam e sejam encaradas como normais, mas não são.
As próprias mulheres  procuram justificativas para tornar a vitima em culpada, e o agressor em vitima das circunstâncias. Deve-se ter a empatia pela agredida, não o julgamento.
Isso não é ser feminista é ter o mínimo de humanidade.
Essa é a minha historia, mas tenho certeza que muitas mulheres tem a mesma, se hoje em pleno 2016 ainda vemos as próprias mulheres julgar e encontrar culpa em uma garota violentada, imagina ha 30 anos atrás...
Mais humanidade e menos julgamentos, por favor!
O mundo está precisando de pessoas urgente! Pessoas que se importem com as causas e falem, não de pessoas que de frente para o crime apenas fecham as suas janelas.






























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